|
A CERÂMICA PRÉ-HISTÓRICA
EM XINGÓ
O
conjunto cerâmico de Xingó tem grande expressão,
pois temos aí um dos maiores acervos de cerâmicas
associadas a ritos funerários do Nordeste, que correspondem
ao Sítio arqueológico do Justino. Nesse sítio
pode ser acompanhada a evolução de todo um contexto
arqueológico, relacionado a cerâmicas, durante
pelo menos 2.000 anos. Os outros sítios pesquisados
possibilitam a compreensão da ocupação
dos espaços.
O que
se percebe é que estamos tratando com um novo horizonte
cerâmico, não relacionado, em princípio,
com outras cerâmicas já estudadas na região.
As cronologias obtidas nos remetem a ocupações
desde 4340 a 1280 +/- 45 anos BP no Sítio Justino,
e as duas datações oriundas do Sítio
São José II, 3500 +/- 110 e 4140 +/- 90 BP,
corroboram essa ocupação antiga, com possibilidade
de se ter uma sequência mais completa, pois existem
muitas amostras ainda não datadas, colocando esse conjunto
dentro de um período cronológico fora da suposta
influência da tecnologia cerâmica de tradição
Tupi-guarani ou Aratu.
Um fator
que será de suma importância para a caracterização
do perfil dessas populações é o fato
de se ter um acervo de vestígios muito rico, do ponto
de vista de informações, com possibilidades
de relações em diversos níveis da cultura
material ou, talvez, até mesmo, da chamada cultura
simbólica, como é, por exemplo, o caso da relação
entre a cerâmica e o ritual de enterramento. Será
possível não só estabelecer características
técnicas, mas, sobretudo, entender espacial e funcionalmente
a utilização dessas cerâmicas associadas
aos enterramentos. Do mesmo modo, as relações
entre a cerâmica e o material lítico, ao menos
aquele que poderá estar relacionado espacialmente com
a cerâmica. Enfim, um mundo de relações
pode ser obtido não apenas relacionado às questões
tecnológicas.
|